Do papel para as telonas

É perceptível o aumento da adaptação de histórias em quadrinhos (chamadas HQs) para a tela dos cinemas. Nos últimos anos, inúmeros heróis foram além das páginas de papel e viraram entretenimento audiovisual. Não só as grandes franquias (Marvel e DC Comics) investiram nesse tipo de negócio, mas outras como a Quadrinhos na Cia., editora da série Scott Pilgrim Contra o Mundo.


Trailer do filme Scott Pilgrim contra o Mundo

Sempre houve filmes adaptados de outras linguagens, mais precisamente a partir do ano 2000, com o lançamento do primeiro filme da franquia X-Men, com o avanço dos recursos tecnológicos que aumentaram a qualidade dos efeitos especiais, esse mercado tem evoluído bastante. Além da franquia dos X-Men, muitos outros herois ganharam as telonas: Batman, que já tinha alguns filmes antigos da década de 90; Homem-Aranha; Elektra; Lanterna Verde; Capitão América; Thor; Scott Pilgrim contra o Mundo; Kick Ass; Homem de Ferro; Demolidor; Hulk; dentre outros.

Hit Girl, personagem do filme Kick Ass - Quebrando Tudo

É importante ressaltar que algumas produções que, ao serem passadas para os cinemas, sofreram algumas alterações. É muito difícil, em qualquer tipo de adaptação (não só de quadrinhos), que a história saia exatamente como era no seu formato original. Por exemplo, no filme Kick Ass: Quebrando Tudo, foram retirados elementos que o faria muito mais impróprio para menores de 18 anos (a classificação etária do filme já era 18 anos), como o fato de a Hit Girl, super-heroina de 13 anos, ser dependente de cocaína. Moralmente, seria muito difícil, diante das telas, presenciar uma menina de 13 anos utilizando qualquer tipo de droga, sendo que a temática do filme não era essa (por exemplo, em Cristiane F.: 13 anos, drogada e prostituída mostra Cristiane, uma menina de 13 anos, utilizando vários tipos de drogas). Em Scott Pilgrim contra o Mundo, a história de três revistas foi condensada em apenas pouco mais de duas horas de filme, o que fez com que a história tivesse que ser mudada para que fizesse sentido em tão pouco tempo, mas que, ainda assim, foi muito bem sucedido.


Trailer do filme Kick Ass – Quebrando Tudo

Nos filmes de herois da Marvel ou DC essa mudança é ainda mais perceptível para quem é realmente fã e acompanha ou acompanhou todas as edições. Em relação a X-Men, por exemplo, eles têm três tipos de filme: os da franquia normal, que tiveram três edições; a série Origins, que começou com Wolverine mas que há expectativa de que haja com outros mutantes; e a última produção, o First Class, que contou a história do início de tudo, a formação dos X-Men e a relação de Eric com Charles, Magneto e Professor Xavier, respectivamente. Apesar disso, os três tipos de franquias não se relacionam.

Imagem d'Os Vingadores

A última produção cinematográfica de herois da Marvel foi o filme Os Vingadores, um grupo de heróis que se juntaram para defender a terra dos planos malignos de Loki, meio-irmão de Thor. Esse grupo é composto pelo próprio Thor, Hulk, Homem de Ferro, Capitão América, Viúva Negra e o Gavião Arqueiro. O filme utiliza efeitos especiais de última geração e consegue definir as características de cada personagem por meio das falas de cada um e seu modo de agir. O que prende a atenção dos espectadores, além do humor presente em diversas partes do filme, são as cenas de ação que foram impecáveis. Um aspecto muito bom do filme é que nenhum heroi foi “deixado de lado” no enredo, todos receberam a devida atenção e foi deixado claro o papel de cada um no filme. Para quem ainda não viu, o filme ainda está em cartaz e obteve uma ótima bilheteria, arrecadando 70 milhões de dólares em apenas um final de semana.

Para este ano, estão na fila o filme do Batman – The Dark Knight Rises, que tem previsão de estreia para o dia 20 de julho, e o “recomeço” de Homem-Aranha, com outros atores e outra história, que estreia dia 3 de julho.

Por Wesley Miranda

Rose e os cravos

A luta desta Rose não é pela terra para todos, como foi a de Rose do MST dos anos 80, mas pela paz nas terras de outros. Jan Rose Kasmir, ativista pacifista, estava em uma manifestação contra o envolvimento dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã, quando foi fotografada pelo francês Marc Riboud, em 1967, Washington D. C. A fotografia, intitulada “O poder das armas contra o poder da Flor”, se tornou símbolo da postura política de toda uma geração e constrói uma narrativa imagética em que posiciona as pessoas em luta enquanto sujeitos históricos.

Rose empunha, como a uma foice, uma flor cândida. Não afirmaria com certeza se é uma margarida, um cravo, ou outra espécie qualquer, mas, de fato, lembrei-me da Revolução dos Cravos. Sete anos depois deste registro, na terra de Camões, a juventude também lutava. A marcha, que pôs fim à ditadura salazariana, também conhecida como a Primavera de Portugal, completou mês passado, no dia 25, 38 anos e significou uma conquista popular na derrocada dos regimes fascistas.

Quanto à Rose e seu pacifismo setentista, o seu olhar é confiante, assim como o do fotógrafo, em mundo que se transforma para o melhor. O humanismo fotográfico, vertente da qual Riboud fez parte, caracterizado pelo otimismo, é, talvez, a chave da orquestra imagética em curso, que nos impressiona a ponto de tornar esta imagem parte do imaginário coletivo.

De algum modo, a perspectiva sob a qual esta foto foi tirada, nos proporciona também o sentimento de esperança, ao mesmo tempo em que nos sacode da apatia cotidiana, nos aproximando de uma coragem, ou melhor, de um instante único de coragem que apenas o caráter indicial – não essencial, mas característico da fotografia – poderia nos proporcionar. O fotógrafo registra a força das massas em luta ao capturar este momento singular que, por ser recortado e destacado do contexto de conflito, ganha uma maior força expressiva. Na estética de Riboud, Rose é uma heroína, como tantos outros o foram, em um vinte e cinco de abril da liberdade. E que mais cravos se ergam!

Revolução dos Cravos por Chico Buarque

Por Amana Dultra

Sem caça, sem bruxas…

Não é novidade que o debate sobre a descriminalização do aborto no Brasil divide opiniões. Se, por um lado, trava-se uma luta a favor da questão feminina a ter o direito de escolha sobre o próprio corpo, por outro, há posicionamentos que defendem a criminalização da prática, tendo em vista o direito à vida. Sem entrar nas conjunturas que possibilitam a prática no país, destaca-se aqui a posição do Supremo Tribunal Federal (STF), na última quinta-feira (12), após decidir que o aborto de fetos anencéfalos (má formação do cérebro e do córtex que leva o bebê à morte logo depois do parto) não é mais crime.

Nesse caso, as entidades que trazem o debate em torno pelo direito à vida e, dessa forma, repudiam a interrupção da gestação, ainda que dentro das concessões do Código Penal Brasileiro, como explicariam o fato de continuar a gestação quando bebês com anencefalia possuem expectativa de vida curta? O direito pela vida, nesse caso, seria os primeiros e, logo em seguida, os últimos minutos (a quantidade de tempo aqui seria uma suposição, uma vez que não se pode saber a previsão de tempo de vida estabelecida fora do útero) a ser defendido? E o direito de evitar o sofrimento da mulher nessas situações?

Essas questões são respondidas, muitas vezes, tanto pela religião, quanto pelo Estado e raramente pelas mulheres. É fundamental que a luta seja pela vida, no entanto, o que se enxerga são inquisições medievais jogando na fogueira corpos que se sentem no direito de ter independência e liberdade.

Por Paula Morais

O baile de debutante em 3D do clássico Titanic

Quase 15 anos após sua estreia nos cinemas, o naufrágio mais famoso da história das navegações volta às telas. Titanic, a megaprodução de James Cameron (o mesmo que dirigiu o sucesso Avatar) reestreia em 3D na capital baiana nessa sexta-feira, 13, trazendo de volta uma das histórias de amor mais famosa da sétima arte.

O relançamento do filme, que foi o primeiro a arrecadar cerca de 1.8 bilhões de dólares no mundo inteiro, marca os cem anos da viagem inaugural do Titanic. A história todos conhecem. O navio que tinha fama popular de inafundável naufraga na madrugada de 14 de abril de 1912, após se chocar em um iceberg, enquanto atravessava o Oceano Atlântico vindo da Inglaterra rumo aos Estados Unidos. Na época, o Titanic era o maior navio de passageiros no mundo.

É esse o cenário que serve de base para a história de amor de Jack e Rose, o rapaz pobre e a moça rica, vividos por Leonardo DiCaprio e Kate Winslet. O filme serviu como alavanca para a carreira de ambos. Leo já era conhecido de Hollywood, por ter sido Romeu Montéquio no filme Romeu e Julieta, de 1996, e sua carreira teve considerável ascensão depois do sucesso do filme. Quanto a Kate , mesmo já tendo sido indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por sua personagem em Razão e Sensibilidade, a inglesa tornou-se mais conhecida. Em 2009 foi consagrada pela academia de Hollywood recebendo Oscar de Melhor Atriz por O Leitor.

Leonardo DiCaprio e Kate Winslet em cena de Titanic

Leonardo DiCaprio e Kate Winslet em cena de Titanic

Titanic é muito importante para a história do cinema por vários motivos. Entre eles está o fato de ter sido a mais cara produção até sua época de lançamento, além de seus efeitos especiais que ainda surpreendem, mesmo tanto tempo depois, distribuídos em mais de três horas de fita que só ficam de fato animadas depois do choque com a rocha de gelo.

Outra importante marca do filme é a canção My Heart Will Go On, cantada pela canadense Celine Dion. A música é considerada por muitos como uma das mais chatas das trilhas de cinema. A revista Rolling Stone a elegeu como a 4ª canção mais irritante da história da música e o site The Sun como a 11ª. Aqui no Brasil, a ainda adolescente dupla Sandy e Junior gravou uma versão da canção de Celine intitulada Em Cada Sonho (O Amor Feito Flecha).

Por mais que se fale de Titanic, clássico é clássico e o filme vale a pena ser visto por quem era muito novinho e não teve a oportunidade de vê-lo nos cinemas ou pelos admiradores do 3D. Se Cameron fizer parte do que fez em Avatar, teremos um novo marco para Titanic: a maior bilheteria entre reapresentações. Em Salvador, O filme pode ser apreciado nas salas 3D nos Shoppings Iguatemi, Salvador, Paralela e Salvador Norte. O filme também será exibido no Espaço Unibanco de Cinema – Glauber Rocha.

Por Daniel Silveira

Tabuleiro Temperado!

Capa do EP

Capa do EP

Tabuleiro Musiquim é uma banda soteropolitana que lançou virtualmente o EP homônimo de estréia no início deste mês. O quinteto, que ainda não realizou apresentação aberta ao público, reúne nomes conhecidos no cenário da música independente de Salvador. O guitarrista e vocalista Silvio Carvalho e o contrabaixista Filipe Coelho fazem parte da banda de rock Quarteto de Cinco; Bruno Balbi é ex-guitarrista da Neologia, que mesclava rock e MPB; o percussionista Diego Cerqueira também é membro da banda de rock clássico Acord; e Felipe Dieder toca bateria na Suinga, Dois em Um e Ronei Jorge. O resultado é um samba temperado pelas diferentes referências musicais de cada integrante.

Influenciada principalmente pela música baiana de Davi Moraes e dos Novos Baianos, mas também por Nação Zumbi e Lenine, a banda apresenta a proposta com coesão através das quatro músicas que compõem o EP. Já na primeira música, Abelha Brejeira, o ritmo suingado e as guitarras se destacando entre letras que remetem à cultura popular baiana, entregam o que será uma característica do EP do início ao fim. A segunda faixa, A Roda, possui uma melodia que gruda na primeira audição. Apesar de não ser o ponto alto, é naturalmente a música de trabalho da Tabuleiro Musiquim.

É no “Lado B”, entretanto, em que se encontram os grandes arranjos, que fazem o EP fluir de forma mais espontânea. A terceira música, Bozó de Deus, revela uma banda madura e competente, capaz de arriscar sem perder a unidade. Com referências nordestinas, marcadas pelas acentuações do triângulo e a cadência de baião, somadas às guitarras que remetem ao som de Lenine e Nação Zumbi, a música chama a atenção por ser diferente e, ao mesmo tempo, não destoar das outras. A última faixa, No Carnaval, foi a escolhida para ser o primeiro videoclipe da banda, lançado no dia 4 de abril. O vídeo, assim como a música, reitera o clima regional que o grupo tem como conceito, através de um contexto que remete a elementos que são referência na cultura baiana, como imagens de santo, que fazem parte do cenário da produção audiovisual.

Foto: Victor Jimmy

A banda conseguiu se apresentar de forma madura e coesa neste primeiro trabalho. Não é tarefa fácil definir um conceito e a Tabuleiro Musiquim já chega com um sentido de grupo, que pode ser percebido, por exemplo, na identidade visual. É dessa forma que surge uma banda que promete se afirmar e ocupar um espaço no criativo circuito alternativo da música baiana. O EP, produzido por Anderson Cunha e Hilário Passos e mixado e masterizado por Jorge Solovera, será lançado em apresentação ao público no dia 15 de abril, no Teatro Eva Herz, na Livraria Cultura de Salvador. Vale a pena conferir!

Por Daniel de Farias